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Breve História de Oliveira

por Cultura

05/09/2016 17:33

BREVE HISTÓRIA DE OLIVEIRA

“Oliveira é filha de uma encruzilhada”. Essa é a primeira frase do capítulo I do livro História de Oliveira, escrito durante três anos e publicado em 1961 pelo itaunense Luís Gonzaga da Fonseca. Na sequência, o autor complementa: O que equivale a dizer que ela é filha da sua própria geografia: um entroncamento de caminhos provocou, pelo comércio e pelo cultivo do solo, o aparecimento do lugar (FONSECA, 1961, p. 17).

Até boa parte do século XVII, essas terras, que hoje fazem parte da região Oeste de Minas, eram ocupadas pelos índios Carijós que, na sequência histórica, foram desalojados pelas tribos Cataguás (ou Cataguáses) que por ali permaneceram até a chegada do primeiro “homem branco”, o bandeirante Lourenço Castanho Tanques que violentamente expulsou aquela tribo por volta de 1670.

Taques partiu de São Paulo na trilha do bandeirante Fernão Dias, mas, em certa altura de sua marcha, desviou-se para o Oeste rumo às ricas plagas goianas. A este caminho, que mais tarde também viria a ser desbravado por outros bandeirantes, como Bartolomeu Bueno Anhanguera, foi dado o nome de “Picada de Goiás”.

A Picada de Goiás era um atalho para as terras goianas que, em longos trajetos e com diversas encruzilhadas fazia, no século XVIII, a ligação de quatro importantíssimas capitanias: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Para rechaçar os aquilombados, os governantes de Minas Gerais, além de organizarem tropas de combate, foram retalhando em sesmarias o Campo Grande, concedendo-as aos abridores de caminhos e aos conquistadores daquelas terras. Tudo isto ocorreu por volta de 1752, ou seja, as verdadeiras tentativas de colonização do território oliveirense ocorreram setenta e seis anos depois da passagem do primeiro “homem branco” pela região.

Segundo Luís Gonzaga da Fonseca (1961), não se pode precisar a data que o topônimo “Oliveira” veio substituir o antigo nome “Campo Grande da Picada de Goiás”. Outra coisa que não se pode determinar, com absoluta certeza, é a origem deste atual nome da cidade.

A Picada de Goiás era um atalho para as terras goianas que, em longos trajetos e com diversas encruzilhadas fazia, no século XVIII, a ligação de quatro importantíssimas capitanias: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Este importante caminho ganhou suas honras ao levar diversos homens à exploração do ouro, inicialmente em Tamanduá (hoje Itapecerica) e depois em Paracatu. Em meados do século XVIII, estas regiões eram abastadas do rico mineral e com os exploradores, vinham pela Picada de Goiás escravos, alimentos e utensílios para subsidiar a mineração.

A colonização do território, que mais tarde constituiria o município de Oliveira, prende-se a um conflito desencadeado no oeste mineiro, em meados do século XVIII. Esse conflito, que durou anos e custou várias vidas (principalmente as dos homens negros), passou para a história com o nome de “Conquista do Campo Grande”.

Entendia-se por Campo Grande toda a região ocidental, compreendida entre o Rio das Mortes (cuja nascente encontra-se na cidade de Santos Dumont, na Serra da Mantiqueira) e as cabeceiras do rio São Francisco, indo até bem próximo dos sertões da Farinha Podre (hoje a cidade de Uberaba).

Dentro desta região, Oliveira era conhecida como “Campo Grande da Picada de Goiás” ou “Campo Grande da Travessia de Goiás ou ainda “Caminho Novo de Goiás” pois se localizava, de fato, na travessia, em um atalho para aqueles que se dirigiam às terras goianas (FONSECA, 1961).

Segundo Fonseca (1961), em terras hoje oliveirenses encontravam-se grandes concentrações de ex-escravos foragidos, e foi a partir do combate entre esses rebelados e os “homens brancos” que surge a colonização do território.

Para rechaçar os aquilombados, os governantes de Minas Gerais, além de organizarem tropas de combate, foram retalhando em sesmarias o Campo Grande, concedendo-as aos abridores de caminhos e aos conquistadores daquelas terras. Tudo isto ocorreu por volta de 1752, ou seja, as verdadeiras tentativas de colonização do território oliveirense ocorreram setenta e seis anos depois da passagem do primeiro “homem branco” pela região.

Segundo Luís Gonzaga da Fonseca (1961), não se pode precisar a data que o topônimo “Oliveira” veio substituir o antigo nome “Campo Grande da Picada de Goiás”. Outra coisa que não se pode determinar, com absoluta certeza, é a origem deste atual nome da cidade.

A origem mais difundida está amparada na religiosidade; o nome Oliveira surgiu em homenagem à santa católica “Nossa Senhora da Oliveira”. Em Portugal, Nossa Senhora da Oliveira era invocada como padroeira dos oficiais confeiteiros, carpinteiros de carruagem e de carros em geral. Erguida a igreja em honraria à santa (por volta de 1785), no interior da matriz foi escrita a seguinte frase em latim: Quase oliva speciosa in campis. Esta frase significa “como a Oliveira no campo dos belos lugares”, o que fazia uma relação do belo cenário paisagístico natural com a santa portuguesa.

Pertencente à antiga comarca do Rio das Mortes, Oliveira passou por vários processos até chegar ao seu formato municipal atual. Após a sequência histórica que vimos, resumidamente, nas seções anteriores, por volta de 1785 o padre Bonifácio da Silva Toledo era o representante da Capela de Oliveira. Em 1798, o padre português Francisco de Paula Barreto inaugura o Curato de Oliveira que, posteriormente, por ele seria dirigido. Neste período, a região já possuía significativa quantidade de fazendas, onde a maioria dos habitantes do Curato residiam, mas aos domingos a população se encontrava no núcleo para participarem da missa dominical obrigatória (SAINT-HILAIRE, 1975).

Em 1832, Oliveira é elevada – pelo decreto de 14 de julho do mesmo ano – à condição de Paróquia, sendo a ela filiados os Curatos de Nossa Senhora da Aparecida do Cláudio e de Nossa Senhora do Carmo da Mata (atualmente Cláudio e Carmo da Mata). Esses dois Curatos farão parte das primeiras células constitutivas do futuro município de Oliveira.

Após seis anos (1838), Oliveira assume o patamar de Freguesia, mas, sem delongas, no dia 16 de março de 1839, Oliveira é elevada à categoria de Vila, pela lei provincial 134. A partir daí, ela assume sua municipalidade tendo sua primeira câmara municipal eleita no mesmo ano.

De acordo com os dados de emancipações extraídos de Furtado (2003), Oliveira emancipou-se do então município de Tiradentes em 1938 assumindo, geograficamente, ampla forma espacial.

Pode-se observar como era vasto o território oliveirense no final da primeira metade do século XIX. Se compararmos com a atualidade, podemos dizer que grande parte do que hoje compreende-se pela mesorregião Oeste de Minas Gerais (IBGE) pertenceu, no passado, ao antigo município de Oliveira.

Depois de passar por diversos processos emancipatórios de municípios vizinhos, em 1962, Oliveira passa por sua última modificação territorial. Após a emancipação de São Francisco de Paula, o município de Oliveira assume o limite municipal que perpetua até os dias atuais.

 

OLIVEIRA, FILHA DUMA PAIXAO?

Foi há muito, há muito tempo. Lá pelo tempo em que o Campo Grande da Picada de Goiás acabava de ser retalhado em sesmarias, varridos dos seus caminhos os audaciosos quilombolas e plantados os primeiros milharais dentro das clareiras abertas no verde-escuro das matas virgens. Já os rebanhos tranquilos pasciam pelas pastagens. E, canalizadas pela picada, as levas de aventureiros que iam passando, costumavam tomar pousada e descanso num rancho outrora existente ali nas fraldas do Diamante, por onde se espraia o velho bairro dos Cabrais. Um dia, na sequela de tropeiros que demandavam a lendária Goiás, por aí apareceu um moço que trazia nos olhos uma profunda onda de tristeza e desencanto. Manuel de Oliveira vinha em busca de novos destinos para o curso de sua vida que acabava de sofrer uma caprichosa reviravolta. Era filho de colonos portugueses. Oriundo talvez duma vasta “família Oliveira” já largamente espalhada pelo território mineiro em plena fase colonial. Esse moço e seu irmão mais velho haviam-se estabelecido em Brumado (Entre-Rios). Na mesma terra, donde, como vimos, tinham vindo os primeiros donos de sesmarias e fazendas no Campo Grande da Picada de Goiás. Laboriosos e unidos, os dois irmãos começaram a prosperar. E já se viam donos de muitas posses, quando acontece apaixonarem-se ambos por uma mesma donzela. Não tardou que um ficasse sabendo das preferências sentimentais do outro. E já estava iminente uma violenta ruptura entre ambos, quando o mais velho, avisado e prudente, assim falou a Manuel: — Meu Irmão. Como mais velho, devo propor uma solução pacífica para este caso. Até aqui, tudo nos andou bem. Mas uma mulher entrou em nossa vida para nos afastar um do outro. Proponho que te cases com ela, que, da minha parte, procurarei outro destino

O mais jovem sentiu-se tocado pela generosa renúncia daquele gesto nobre. E respondeu: – Não. Tu é que deves casar-te com ela. És mais velho, mais poderoso e tens, pela idade, mais direito do que eu. Ela é tua. Da minha parte, já sei que rumo deverei tomar. Dito e feito. Ao alvorecer do dia seguinte, o jovem Oliveira já tinha desaparecido. Uma caravana a caminho do Oeste, e ei-lo enfim no rancho, à margem da Picada de Goiás, atiçando o foguinho na tripeça, cá nestas paragens remotas, à sombra do Diamante. Que lhe restava agora fazer? Seguir para Goiás ou ficar ali no lugarejo nascente? Agradando-se talvez do panorama, dos seus ares e das suas águas — ou mesmo a convite dos sesmeiros que eram também de Brumado e cujo interesse era povoar depressa estas terras —, o moço resolveu ficar. Domiciliou-se ali ao pé da serra verdejante, frente às colinas arredondadas, propícias à meditação. Foi-lhe entregue a direção de um dos pousos locais. Tendo-o adaptado melhor às necessidades dos que passavam, tornou-se em breve o pouso favorito de quantos, indo ou vindo, por aí transitavam.

E, assim, foi ficando conhecido e procurado o “rancho do Oliveira”, o primeiro hotel desta cidade de hotéis.

– Toca a mula ruana, menino! Devemos pernoitar hoje no “rancho do Oliveira”.

E os viajores iam passando, e o rancho ia crescendo com a família do novo estalajadeiro.

 Sim; o jovem Oliveira encontrara novo amor e constituíra aqui seu lar: o primeiro lar da terra oliveirense. Quando a morte lhe veio cerrar os olhos, ficava-lhe no lugar uma dinâmica substituta, na pessoa de Maria de Oliveira, descendente do extinto, ou talvez sua viúva. Assumindo a direção da estalagem, Maria de Oliveira aumentou-a e melhorou-a. – Pousaremos hoje no “Rancho da Oliveira”. – Vamos tocar firme para alcançar o “pouso da Oliveira”! E, fitando, cansado, as distâncias perdidas, quanto viajor exausto não suspirou por esse “rancho da Oliveira”, depois arraial da Oliveira, vila da Oliveira, cidade da Oliveira, ou modernamente, de Oliveira. “Da Oliveira” é como se lê em todos os documentos antigos referentes ao lugar, inclusive na pequena monografia escrita em 1882 pelo bacharel alagoano Francisco de Paula Leite e Oiticica, trazendo como título “Notas sôbre o município da Oliveira”. Esse “da Oliveira” é sintomático. Faz pensar na sempre lembrada estalajadeira, cujo nome ainda rola na boca dos habitantes deste rincão, para o qual ela, sem o saber, serviu de epônimo, à proporção que em torno do seu rancho e perlongando a estrada, foram se estendendo as casas que mais tarde se transformaram em palacetes, galgando o dorso das colinas.

 

*Do livro História de Oliveira, em 1961 pelo itaunense Luís Gonzaga da Fonseca.



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