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Cultura

Arquitetura de Oliveira

por Heraldo Laranjo

25/07/2016 15:57

ARQUITETURA HISTÓRICA DE OLIVEIRA
Quadro síntese da evolução e importância dos exemplares que chegaram aos nossos dias, formado o patrimônio histórico arquitetônico a ser preservado.
Primeiras edificações:
Segunda metade do século XVIII
Principal referência: Igreja Matriz Nossa Senhora de Oliveira –iniciada em 1780 – Barroco Mineiro em sua terceira fase.
Estilo colonial – casas de único pavimento - exemplos de remanescentes dessa época: casa da rua Coronel João Alves, que tem ainda um beiral em beira-seveira; Casa de Nem Campos, nos moldes da arquitetura barroca do ciclo do ouro em Minas Gerais; Casa da praça XV (atual sorveteria Carol) – descaracterizada, mas conservando a volumetria e cobertura nos moldes originais.
Casas desse período são citadas pelo viajante francês Auguste de Saint-Hilaire (1779 - 1853), que passou por Oliveira em 1819 - havia duas ruas e duas igrejas no povoado, as construções eram bonitas, caiadas de branco com janelas amarelas e molduras róseas que causavam boa impressão. Para ele, as casas do arraial de Nossa Senhora da Oliveira eram “grandes para o país”, querendo dizer que encontrou aqui um diferencial quanto ao porte das construções se comparadas com as demais encontradas em outras localidades.
Século XIX
O estilo colonial perdurou até meados do século XIX quando surgiram as casas de porão alto, uma evolução que significava a ascensão econômica dos moradores e melhorias no padrão construtivo das casas.
Exemplares: Antiga casa da família do Sr. Nereu, casarão do Capitão Henrique- ruínas tombadas pelo IEPHA.
Em meados do século XIX foi erguida a igreja Nosso Senhor dos Passos.
Com a evolução do povoado, as naturais mudanças nos hábitos de viver e morar foram acompanhadas pela alteração das formas de construção das moradias que passaram a adotar o estilo de casas assobradadas, traço que se tornou marcante identificador do conjunto arquitetônico erguido em Oliveira no período de meados a fins do século XIX.
Surgiram os primeiros sobrados com balcões ou sacadas isoladas e entradas pela primeira porta à esquerda da fachada – sobrado de Osvaldo Vieira (lanchonete do Russo), sobrado da escola Pinheiro Campos, sobrado da família Demerval Chagas Almeida ( Real Gold) , sobrado Plínio Pires, sobrado que pertenceu à família Ivan Ribeiro de Castro na rua Direita, porém descaracterizado por ornamentos em relevo na fachada, assim como o grande sobrado de esquina que abriga o Hotel Bandeirantes.
Como evolução inspirada no estilo Neoclássico, surgiram sobrados peculiares, com afrescos nas paredes, fachadas inspiradas ainda no estilo colonial, porém com inspiração clássica na composição simétrica de seus vãos de aberturas e elementos ornamentais.
Exemplares dessa época: Sobrado da escola Francisco Fernandes, antigo Grande Hotel, sobrado Heitor Cambraia e o que reúne de forma integral as características do estilo
Neoclássico: sobrado do cel. Theodorinho Ribeiro de Oliveira e Silva, atual Casa da Cultura Carlos Chagas.
No final do século XIX, duas estações ferroviárias foram erguidas, restando-nos hoje apenas a estação Dr. Fromm, pois a maior e mais importante estação foi demolida, assim como o belo Teatro Municipal, de estilo Eclético e que foi erguido em 1923.
Em publicação datada de 1882, intitulada “Notas sobre o município da Oliveira”, Francisco de Paula Leite e Oiticica (1853-1927), advogado alagoano que seria depois senador da primeira República, definiu Oliveira como um “grande, rico e florescente município da província” e que contava com “bons e sólidos prédios, verdadeiros palacetes mobiliados com luxo e elegantes pela arquitetura (...) a quem deve ser a cidade uma das mais belas da província com referência às edificações(...)”
Século XX
O período pré-industrial brasileiro, situado entre o final do século XIX e as três primeiras décadas do século XX, ficou marcado na cidade pelo surgimento de casas em estilo Eclético, caracterizado pelas fachadas ricamente decoradas. Artistas italianos e portugueses vieram do Rio de Janeiro para elaborarem os projetos e pinturas parietais.
Exemplares – casa das Águias, casa Acácio Ribeiro (ao lado do banco Itaú), casa Dr. Domingos, três casas da Avenida Pinheiro Chagas (Familia Viglioni e suas vizinhas laterais) e sobrado Prof. Paulo Paulino (loja Agropoel), além do prédio da antiga Distribuidora de Energia, sede da Lira Municipal Oliveirense.
Nos anos 1930/ 1940 foram erguidos sobrados com inspiração europeia, como início de influências do estilo Art Déco, mas com traços do romantismo próprio daquele continente – prédios da família Mitre, da família Michel Sáber Gabriel e família Waldemar Vieira, além dos prédios das escolas Desembargador Continentino e Mário Campos (antigo Hospital de Neuropsiquiatria Infantil).
Prédios em estilo Art Déco - 1940- Palácio Episcopal, prédios das atuais lojas Edmil e Ricardo Eletro, que foram construídos para agências bancárias, residência João Haddad, antiga prefeitura que teve seu prédio original em estilo Neoclássico transformado nesse estilo Art Déco.
Modernismo – prédio do Oliveira Clube (1960), residência Dr.Nelson Ribeiro ao lado da casa da cultura (final da década de 1960), prédio da Caixa Econômica Federal.
Como curiosidade a respeito do conjunto arquitetônico de Oliveira mais expressivo, posso destacar que, após a Segunda Grande Guerra, que durou de 1939 a 1945, optou-se pela adoção de tendências modernas, o que resultou num conjunto arquitetônico composto de estilos mais variados em meio a um cenário colonial ainda predominante e que perdurou em Oliveira mesmo após as influências de um surto transformador dos espaços urbanos e que foram causadas pelo advento do governo JK, entre 1956-1961. Cidades típicas do porte de Oliveira absorveram de forma branda tais transformações. Porém, a partir daquela era, não mais se conservou a homogeneidade e harmonia originais do conjunto arquitetônico oliveirense. Mas, o conjunto preservado em sua variedade de estilos tem seu valor por contar a história e evolução da arquitetura brasileira e da própria cidade.

Autor da análise técnica:
Arquiteto Heraldo Laranjo
 



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